Por: Fabiana Romanini

Foto de Foto de Florian Klauer na Unsplash

No tratamento de qualquer transtorno emocional é importante que possamos compreender como o paciente processa informações. Muitas vezes esse processamento é negativo e representa erros lógicos ou distorções, o que muitos autores vão definir como distorções cognitivas.

Pacientes com câncer processam informações de forma distorcida como qualquer outro paciente e por isso dedicamos um texto somente para descrevê-las. 

Pensamento tudo ou nada: os eventos são vistos como dois pólos. “Já que eu não posso ser curado, vou desistir”, só existe cura ou morte.

Abstração seletiva: foca a atenção em somente uma parte das informações disponíveis. “Vou perder o seio e isso será horrível” esse paciente não considera a informação que ela poderá ter a reconstrução da mama após o tratamento e somente se concentra na retirada do órgão.

Inferência arbitrária: conclusões baseadas em poucas evidências. Pacientes oncológicos tem bastante incertezas com relação ao diagnóstico e quando avaliam essa situação baseada na  distorção pensam:  “Se eu tive câncer agora, terei no futuro” ou ainda “Eu vou morrer, não tem saída”

Leitura mental: acreditam que sabem o que se passa na cabeça de seus familiares. “Se ele esta me olhando assim é porque sabe alguma coisa que eu não sei”, “Ele está me achando feio”

Supergeneralização: um único evento negativo é visto como um padrão. “Se esse exame foi ruim os outros também serão”

Rotulação: define as pessoas e a si como uma construção global. “Sou uma pessoa doente”, “Sou inválido”.

Ampliação e minimização: minimiza ou maximiza os efeitos reais da doença e do tratamento “Eles tiraram meu seio por precaução”, “Se eles tiraram o meu seio não tenho mais chance, vou morrer”

Essas distorções colaboram para que o paciente oncológico interprete com viés negativo a doença e o tratamento, produzindo assim pensamentos automáticos negativos e influenciando em como se sentem, se comportam e provocando sintomas fisiológicos e essa relação será o foco do tratamento em TCC. 

O PROCESSO TERAPÊUTICO!

No tratamento de um paciente com câncer toda equipe é treinada para efetuar intervenções psicológicas focais, caso avaliem essa necessidade. Esse treinamento abarca profissionais como enfermeiros, médicos oncologistas, psiquiatras e psicólogos e a TCC pode ser uma das muitas abordagens úteis para esse treinamento. Por exemplo, um oncologista pode ajudar o seu paciente a avaliar as vantagens e desvantagens de continuar seu tratamento quimioterápico.

Umas das tarefas de adaptação do indivíduo com câncer é dar sentido ao diagnóstico, como vimos nos textos anteriores, inserindo a visão que tem sobre a doença ou modificando suas crenças.

A Tríade cognitiva desses pacientes envolve uma visão negativa do diagnóstico, do controle da doença e de seu prognóstico, percebendo o seu diagnóstico como uma sentença de morte e se sentindo sem esperança sobre o futuro, avaliando todas as informações sobre o câncer e o seu tratamento a partir dessa tríade, representando assim o processamento de informações desse paciente.

Sendo assim, as distorções cognitivas mantém o esquema de desesperança e filtrar informações esperançosas de forma distorcida como, por exemplo, amplia as informações negativas sobre a doença e o tratamento e  generalizar os resultados a partir de um único evento “Hoje foi um dia muito ruim, nunca mais vou me sentir bem” ou podem pensar de forma dicotômica “Se eu não posso levar uma vida como antes, não há mais nada a se fazer”, traduzindo assim  o estilo mal adaptativo responsável por manter seus pensamentos automáticos negativos, consequentemente o seu sofrimento, dificultando a utilização de estratégias de enfrentamento mais eficazes.

Além disso, o câncer em alguns casos, pode significar uma ameaça a si mesmo, ou seja, se uma  pessoa tem um crença de que ela só pode ser feliz se as outras as acharem atraente, qualquer efeito em sua aparência será sofrível e gerará uma visão negativa de si como doentes ou feios.

Como a doença ocorre em um contexto social é primordial avaliar como o paciente interpreta o comportamento de pessoas importantes e membros da equipe médica, por exemplo, se um paciente interpreta que as pessoas expressam pena diante de sua doença ele não falará mais sobre seus pensamentos e sentimentos e se afastará de todos. 

Da mesma forma, a relação com os parceiros pode sofrer interferências por avaliações distorcidas e sendo o parceiro um importante apoio aos pacientes é sempre importante considerá-lo foco de intervenção.

Portanto, os objetivos da terapia serão:  

  • Redução do sofrimento emocional,
  • Melhorar o ajuste a doença e induzir um espirito de enfrentamento
  • Promover um senso de controle pessoal sobre a sua vida e participação ativa no tratamento
  • Desenvolver estratégias eficazes de enfrentamento para lidar com dificuldades relacionadas ao câncer
  • Treino de habilidades de comunicação entre o paciente e seus parceiros 
  • Habilidades de expressão de sentimentos, principalmente a raiva e outros sentimentos negativos, em um ambiente seguro.

Referencia: Moorey, S., Greer S., Oxford Guide to CBT for people with Cancer. Oxford ; New

York : Oxford University Press, 2012

 

 

Foto de Florian Klauer na Unsplash

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