Ter uma compreensão clara do padrão de funcionamento do paciente é essencial para nos guiar em todo o processo terapêutico, assegurando que o terapeuta faça as melhores escolhas, intervindo em pontos fundamentais e promovendo um tratamento mais efetivo.

Considerando a relevância dessa concepção, um importante aspecto da conceitualização em terapia cognitivo-comportamental é identificar processos de manutenção, pois estes mantêm os problemas do paciente ou até o agravam. Muitas vezes, esses processos apresentam-se em forma de círculos viciosos onde pensamento, emoção, comportamento e/ou respostas fisiológicas retroalimentam o problema. 

Existem alguns ciclos de manutenção que são muito comuns. Um deles, presente normalmente nos transtornos de ansiedade, é a evitação onde, diante de uma situação a qual o indivíduo avalie como perigosa, ele evita para se proteger, porém esse comportamento impede a desconfirmação da crença sobre o perigo. Vamos observar o exemplo de uma pessoa com medo de dirigir. Ela acredita que se dirigir, não vai conseguir dominar o carro ou todas as regras de trânsito e causar um acidente. Seu comportamento é evitar dirigir, o que a impede de desconfirmar sua crença de que não é capaz e que cometerá um acidente, além de impedir que desenvolva cada vez mais as habilidades necessárias para ser motorista.

Um outro exemplo de processo de manutenção é a hipervigilância. Diante de uma crença como “Eu tenho uma doença grave” a pessoa engaja-se em um comportamento de hipervigiar sinais em seu corpo. Essa hipervigilância a leva a perceber sintomas físicos que são normalmente presentes mas não temos consciência deles, contribuindo para que ela confirme sua crença de estar com alguma doença.

Sendo os ciclos de manutenção um processo tão determinante na manutenção do padrão de funcionamento, eles devem ser um foco principal no plano de tratamento, pois a partir de novas estratégias de enfrentamento adotadas, é possível modificar crenças disfuncionais e desenvolver um padrão mais adaptativo.

Referências:

Nicoletti, E.A., & Donadon, M.F. (2018). Ciclos de manutenção em Terapia Cognitivo-Comportamental: formulação de caso, plano de tratamento e intervenções específicas. Novo Hamburgo: Sinopsys. 

Westbrook,D., Kennerley,H., & Kirk, J. (2011). An introduction to cognitive behaviour therapy: Skills and applications. Sage.

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